Que
história! Que enredo! Que inteligência de demonstrar o quão poderoso pode ser o
conhecimento que temos em nossas mãos!
Não
há como não perceber as características do movimento romântico inglês ao ler
este livro, é simplesmente demais!
Bom,
vamos as características que Alexander Silva dá em seu livro - que alias vale a
pela tê-lo para ter como base de literatura inglesa - que são estas:
·
"a redescoberta das belezas da natureza;
·
a ênfase na emoção em detrimento da razão;
·
o interesse na vida e nas pessoas do campo;
·
o resgate do passado, seja pela atmosfera de
mistérios ou pelos temas heróicos da história do país. (P.199)"
Em
companhia de Lord Byron, Mary e seu marido, o poeta Percy Bysshe Shelley, decidiram
fazer uma competição para ver quem dos três conseguiria contar a melhor
história de terror. Os dois homens desistem do desafio, enquanto Mary continua
seu trabalho acabando com a história de um jovem estudante de medicina que
consegue dar vida a um corpo feito com pedaços de pessoas mortas. Assim nasce Frankenstein.
Frankenstein é
também o resultado de uma vida conturbada que Mary teve. Dizem que ela teve a
ideia de criar o monstro depois de ter tido um sonho "no qual seu bebê
morto volta à vida. A morte da mãe, a perda de seus filhos, o relacionamento
com o gênio difícil de Percy, as conversas sobre o mistério da vida e as
últimas descobertas sobre a eletricidade" (P.207) são levadas à história
também.
Uma
das razões de eu ter lido este livro foi por que eu estava curiosíssimo para
saber por que o subtítulo da obra é "ou o Prometeu Moderno", e acabei
descobrindo por acaso que ele faz alusão à história de Prometeu - aquele que
rouba o fogo do Olimpo (morada dos deuses da mitologia grega) e o leva para os
homens da terra e que, ao ser descoberto, recebe o castigo de ter o fígado
devorado por uma águia todos os dias -. Na história, o castigo do doutor Frankenstein, por ter roubado dos céus a
dádiva de dar à vida, é o de perder as pessoas que ele ama, mortos pelas mão de
sua própria criação.
Outra
coisa interessante é que muitas pessoas falam que o nome do "monstro"
é Frankenstein, quando na verdade
este é o nome do protagonista da história. O monstro recebe inúmeros nomes,
como por exemplo demônio, criatura, monstro etc.
Separei
algumas partes da história das quais achei interessantes. Algumas delas são
estas:
"-
Os antigos professores desta ciência - disse ele - prometeram impossibilidades
e nada fizeram. Os mestres modernos prometem muito pouco; sabem que os metais
não podem ser transmutados e que o elixir da vida é uma quimera, mas esses
filósofos, cujas mão parecem ter sido feitas só para chapinhar na lama, e os
olhos para olhar o microscópio ou o cadinho, fizeram milagres de verdade."
(P. 48)
"Um
ser humano perfeito deve sempre conservar a calma e a serenidade de espírito e
nunca permitir que a paixão ou um desejo transitório perturbe a sua tranquilidade.
Não acho que a busca do conhecimento constitua exceção a essa regra. Se o
estudo a que nos dedicamos tende a enfraquecer as nossas afeições e a destruir
nosso gosto por esses prazeres simples em que nenhuma imperfeição pode misturar-se,
então tal estudo é decerto ilegítimo, ou seja, inadequado à mente humana."
(P. 56)
Vemos
que a busca pelo conhecimento e suas consequências servem como pano de fundo
para a história. A ciência estava no auge de suas descobertas, e isso fez com
que os autores usassem esta temática em suas obras.
Outro
fato interessante é que até o monstro tem este olhar curioso como
característica marcante. Ele aprende a se comunicar através do contato secreto que
ele teve com uma família de camponeses, pois ele sentiu que era preciso que as
pessoas o entendessem. Afinal, ele não queria que elas pensassem que ele era
somente aquilo que os olhos podiam ver, mas que, na verdade, ele só queria
fazer amizades, viver sua "vida". Isto leva ao fato de nós, como
seres sociais, termos a necessidade de interagir em sociedade. É necessário
estar perto das pessoas e nos comunicarmos.
Esta
obra é simplesmente sensacional por mostrar de uma maneira tão aterrorizante o quão
perigoso pode ser o conhecimento que temos das coisas, bem como o que se pode
fazer com tal conhecimento.
Até a
próxima!
Bibliografia
SHELLY, Mary. Frankestein ou o Prometeu Moderno; tradução Roberto
Leal Ferreira. 2ª edição. São Paulo: Martin Claret, 2012.
SILVA, Alexander Meireles da.
Literatura Inglesa Para Brasileiros.
2ª edição. Editora Ciência Moderna Ltda., 2005.




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